Como divulgar seu trabalho sem depender das redes sociais
Preciso confessar uma coisa: mesmo trabalhando há muitos anos com marketing e comunicação, as redes sociais sempre foram um problema para mim. E tenho quase certeza de que você também já sentiu isso.
Já conversei com muita gente de áreas criativas que diz a mesma coisa: “eu gosto de fazer arte, gosto do meu trabalho, mas publicar nas redes é difícil”. Se esse é o seu caso, este texto é para você. Existem formas de divulgar seu trabalho sem a pressão de aparecer o tempo todo e sem mostrar tudo da sua vida.
Por que as redes sociais pesam tanto
Estar nas redes significa se expor, mostrar um lado seu que talvez as pessoas ainda não conheçam. Além disso, o ritmo muda o tempo todo, e você precisa sair da zona de conforto para aprender coisas novas e acompanhar.
⚠️ Se quiser ir mais fundo nessa questão, escrevi sobre como criar em um mundo hiperconectado.
Tem também a questão do ciclo de vida do conteúdo. Um vídeo no YouTube continua aparecendo nas buscas por muito tempo. Um post no Instagram dura bem menos. Por isso a sensação de que é preciso criar sem parar, inventar formatos novos e cuidar da comunidade todos os dias, o que pesa ainda mais para quem é mais introspectiva.
Estar nas redes continua sendo importante, porque é onde a sua audiência está. A ideia aqui é outra: você pode ocupar esse espaço de forma mais leve e fazer o trabalho mais consistente fora dele.
Um aviso importante: esses caminhos também exigem constância. A diferença é que você escolhe o ritmo, que pode ser semanal, quinzenal ou mensal. O que importa é continuar.
1. Construa uma lista de contatos
Para mim, a base de e-mails é um dos ativos mais subestimados que existem. Ela leva tempo, é trabalho de formiguinha, mas quem se inscreve está ali esperando ouvir de você, sem depender de algoritmo.
Aprendi isso acompanhando artistas de fora do Brasil, que costumam ser mais reservados e usam muito esse recurso. Hoje eu uso o Brevo, que tem um plano gratuito muito bom para começar, e o Substack, que além da lista oferece outras funcionalidades de rede.
Vale também fazer uma segmentação simples: clientes antigos, pessoas que se interessaram pelo seu trabalho mas não fecharam (os chamados prospects) e quem só quer receber seus conteúdos. Assim você sabe o que enviar para cada grupo. Dá para colocar o link de inscrição no Linktree, no site ou em qualquer lugar onde você divulga seu trabalho. Eu pensei nisso tarde demais, então quanto antes você começar, melhor.
2. Tenha um site próprio
Com a ascensão das redes sociais, sites e blogs foram ficando de lado, mas continuam sendo o que alimenta as buscas do Google. Se um cliente procurar você hoje, ele vai encontrar algo sobre o seu trabalho ou só vai achar você dentro de uma rede social?
O que faz o Google entregar resultados é o SEO (Search Engine Optimization, ou otimização para mecanismos de busca). Agora, com a inteligência artificial, surge o GEO (Generative Engine Optimization), a otimização para respostas geradas por IA. Ainda estou estudando o assunto, mas, resumindo bem, é um SEO que pede mais clareza: descreva com palavras o que você faz.
Isso funciona na prática. Quando trabalhei 100% como freelancer (conto os aprendizados desses 2 anos de freelancer em outro post), o que me sustentou foi o meu site. Criei páginas para os meus serviços e cases que contavam a história de cada trabalho e como eu o produzia. Tudo isso virou resultado de busca, e fechei contratos com marcas grandes como Danone, Zurich Seguros e G4 Educação, que me encontraram pelo Google.
Hoje é fácil criar um site, seja em plataformas simples, no WordPress (um pouco mais complexo, mas com muitos plugins que ajudam) ou até com ferramentas de inteligência artificial como o Claude, que montam sites rapidamente. O site é a sua casa: você cria sem depender de algoritmo e colhe os resultados por muito tempo. Para mim, é uma forma de criação low content, que se constrói devagar. ⚠️ Se você pensa em monetizar o site no futuro, vale ler também o que ninguém conta sobre aprovação no Google AdSense.
3. Monte um portfólio estático
Outra opção leve é um portfólio em PDF ou em apresentação do Canva. Como não precisa de atualização constante, você publica no LinkedIn, envia para a sua lista de e-mails e coloca no Linktree para quem chega pelo Instagram.
Funciona como o media kit dos criadores, só que com os seus principais trabalhos. Vale incluir um pouco sobre você e contar a história de cada projeto: por que começou, como foi o processo e qual foi a entrega.
4. Aposte no boca a boca e nos eventos
Mais espontâneas, essas duas frentes também funcionam. Falar do seu trabalho para amigos, participar de eventos onde as pessoas estão reunidas e levar aquele velho cartão de visita ainda constroem visibilidade sem depender das redes.
Um exemplo: por que criei o Lápis Pastel
O Lápis Pastel é um exemplo de tudo isso. Eu queria um lugar para escrever textos mais longos e reunir pessoas com interesses em comum, sem a pressão de tempo das redes sociais. Aqui eu escrevo e espero que as pessoas me encontrem, as que se identificam com os assuntos que trago. Entendi que a pressão das redes não me faz bem e muitas vezes me impede de criar. O blog nasceu para ser esse espaço.
Construir devagar também é construir
Sei que é difícil, e eu mesma passo por isso, porque queremos tudo rápido. As redes passam a falsa sensação de que tudo é rápido e fácil, mas o que dura demora para ser construído. O mais importante é descobrir o que te motiva a criar por muito tempo, porque carreira e projeto pedem fôlego. Se a vontade de criar andou sumida, talvez ajude ler sobre por que perdi o interesse em criar.
Talvez a rede social não seja o formato para você, e tudo bem. Nós, criativos, temos a necessidade de colocar as ideias no mundo, e eu não queria que você deixasse de fazer isso porque o Instagram não é a sua praia. Você não precisa estar em todos os lugares o tempo todo, só precisa encontrar a sua forma de fazer.
Continue lendo:
- Amo arte, mas será que realmente quero trabalhar com isso?
- Inteligência Artificial: ainda vale a pena ser artista?
- MEI e ME para artistas: qual a melhor opção?

