Amo arte, mas será que realmente quero trabalhar com isso?
Sempre soube que eu era da comunicação, mas desde que conheci alguns estilos específicos de arte e comecei a me aprofundar, a ideia de trabalhar com arte sempre me perseguiu. O ano era 2020 e, todos nós vivíamos por algo nunca vivido antes: uma pandemia global. As grandes horas dentro de casa foram o suficiente para que eu pudesse entender que era sim, uma boa ideia.
Eu estava amando praticar, as pessoas estavam amando acompanhar e até começando a pedir encomendas, e foi assim que eu transformei um dos meus maiores hobbies em profissão.
Se isso foi ou não uma boa ideia, eu não tenho toda certeza para afirmar, mas o que posso dizer foi que vivi experiências incríveis e tive inúmeros aprendizados ao trabalhar com arte. Hoje, minha vida está bem diferente, pois a vida acontece… A minha foi acontecendo e eu também precisei recalcular a rota, inúmeras vezes.
Nesse post, quero trazer algumas reflexões importantes sobre trabalhar com arte trazendo como foco minha experiência. Mas, com o objetivo principal de acolher quem vive essa angústia de ter um hobby e pensar em viver dele, acolhendo os dois lados da moeda: de quem decidiu trabalhar com arte e de quem decidiu que gostaria de deixar a arte em um lugar mais protegido.
Independentemente de ser uma paixão, existe um mercado por trás
Eu procuro ter sempre uma visão madura e mercadológica sobre isso. Essa é uma das vantagens de ter trabalhado com marketing por muitos anos na minha vida. Tenho uma boa noção de como o mercado funciona. O mercado criativo possui inúmeras possibilidades, mas ainda assim, existe um mercado que quando você entende bem ele, consegue tirar um proveito melhor. Já me aprofundei nesse assunto por aqui, conheça formas de trabalhar e viver de arte.
Além de tudo isso, tem a parte burocrática que poucas pessoas entram no assunto: a de ser uma empresa e funcionar legalmente. Cuidar do financeiro, abrir um MEI ou ME, cuidar do atendimento e ainda precisar se profissionalizar no estilo que você escolheu, pois quando você começa a fazer parte da comunidade artística, você entende que o nível técnico exigido também é muito relevante.
Querendo ou não, tudo isso vai pesando no dia a dia e a dica que eu dou, é que sempre que possível, você encontre pessoas para ajudar nesse processo. Seja cuidando do atendimento, ou uma consultoria para te ajudar no financeiro. Uma das coisas que pesou muito na minha experiência, foi querer dar conta de tudo sozinha, e para o bem da sua saúde mental, tente não fazer isso.
Quando a paixão encontra a realidade
É muito gostoso ter autonomia, tempo para exercitar sua arte, participar de projetos incríveis e se desenvolver de muitas formas. Mas também há os desafios de trabalhar com arte, como aquele mês em que você não consegue tantos trabalhos assim e sente que a conta não vai fechar.
Todas as escolhas que fazemos na nossa vida existem prós e contras, e se você sente que não está dando conta de tudo, saiba que você não está sozinho. É realmente muita coisa para administrar.
Os prós são inúmeros e a experiência compensa por si só
Se você está pensando em trabalhar com arte, eu acredito que você terá experiências incríveis no seu processo. É muito boa a sensação de ver um trabalho feito com tanto carinho ganhando forma. Tive momentos inesquecíveis no meu trabalho com arte.
Aproveite ao máximo para conhecer pessoas, para explorar estilos e viver cada experiência que você tiver oportunidade de ter. Na minha visão, esse é o maior pró de todos. Além disso, tempo disponível para fazer curso e desenvolver projetos pessoais é muito importante na jornada artística.
Os dolorosos contras
Como citei, na minha visão, além das inúmeras atividades que você precisa exercer, a insegurança sobre a frequência de trabalhos é algo que me deixava bastante desconfortável em alguns meses. O fato de não conseguir fazer muitos planos e viver com certa instabilidade, é uma das coisas que mais me doíam.
A boa notícia é que tem muitas formas de contornar essa situação, e na minha opinião, uma das formas mais efetivas é a de diversificação de renda. Venho de uma condição muito simples e diversificar a minha renda sempre foi arma poderosa para viver bem os momentos de instabilidade.
Existe arte também além do trabalho
Faz um pouco mais de um ano que resolvi voltar a exercer minha profissão em marketing, e por muito tempo, me puni por ter feito essa escolha com a sensação de ter dado “muitos passos para trás”. Porém, estou descobrindo aos poucos que a arte faz parte de quem eu sou, e não precisa estar presente necessariamente somente como trabalho.
Tenho buscado redescobrir quem sou e qual minha relação com a arte agora que tive esse tempo para colocar as ideias no lugar, e tem sido muito importante. Indico muito que você busque explorar formas de arte diversas, para que esse espírito permaneça em você, na sua identidade.
Trabalhar ou não diretamente com arte, não te faz menos artista. A arte é um recurso que vem para nos preencher, para comunicar, para inspirar, para vivenciar. Colocar muita pressão nisso, pode não fazer bem para o seu espírito. Existe muita vida além do trabalho e tenho tentado aplicar isso no meu dia a dia.
Talvez a resposta não seja sim ou não
Por fim, penso que talvez eu não tenha ainda uma resposta certa, mas tenho me permitido acertar e errar. Acredito muito que não tem resposta certa quando se trata de sonhos, projetos e realizações. Mas aqui nesse espaço, quero trazer conteúdos que possam te ajudar e te acolher, independente se a sua escolha for ter a arte ou um hobby criativo como profissão, ou se você só quer utilizar como preenchimento para a sua alma. Por isso, espero que de alguma forma esse texto tenha te ajudado e te convido a apreciar os outros conteúdos do Lápis Pastel. Um abraço apertado!


