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Ser Generalista: as Dores e as Delícias de Não Caber em Uma Só Caixa

Se você é um profissional criativo, você certamente já se pegou despertando interesse por múltiplos assuntos e hobbies. Acredito muito que ser generalista não é algo que acontece do dia pra noite, mas sim, desde que estamos na escola entendendo os nossos interesses, percebemos que não gostamos de uma coisa só.

Quando você está iniciando a sua juventude, ser generalista pode até parecer algo inocente, que não vai atrapalhar nem um pouco, afinal, é muito bom ser uma pessoa com interesses diversos e saber um pouco de cada coisa, não é mesmo?

Mas quando a vida adulta vai chegando e vamos conhecendo o mercado de trabalho, começamos a perceber que somos colocados em “caixinhas”, e fica aquela sensação de que só vai ser possível crescer e ser reconhecido se focar com consistência em uma coisa só.

Eu vivi e vivo isso na pele e por isso, no texto de hoje, quero discorrer um pouco mais sobre assunto, cujo tema está sendo motivo para inúmeros autodescobertas na minha vida pessoal e profissional.

Por que ser generalista pode ser considerada uma dor

Ao meu ver, ser generalista começa a virar uma dor de verdade no campo profissional. Em meados de 2015 quando as mídias sociais iniciaram a sua ascensão, profissionais especialistas foram começando a ser muito valorizados por saberem operar plataformas específicas. Com os anos passando, o mercado foi ficando cada vez mais cheio de profissionais do digital e ser generalista acabava virando um problema no mercado de trabalho, especialmente em marketing.

Eu iniciei minha trajetória em agências de publicidade e apesar de saber um pouco de cada coisa ser importante para a adaptação e iniciação nas empresas, as melhores condições e salários ficaram com os profissionais especialistas, aqueles que estavam focados em apenas uma área de atuação. Falando do meu círculo de contatos, esses profissionais conseguiram se consolidar mais rápido no digital.

A pressão de escolher um único caminho

A pressão de escolher um único caminho indo na contra-mão de ser um profissional generalista, é justamente a busca por se encaixar de forma mais coesa no mercado de trabalho, buscando melhores salários e condições. Especialmente na área que eu atuo que é a área de marketing, um profissional generalista pode acabar acumulando muito trabalho, e ficando sempre na sensação de que não é “bom em nada”.

Isso não é verdade, mas é algo em que sempre acreditei por gostar de muitas coisas. E o que ficava, era sempre a sensação de que algo estava faltando, ou de que estava ignorando alguma coisa em que eu tinha um grande potencial.

E assim, o ciclo se repetia constantemente. Encontrava algo onde gostaria de me especializar e sentia sempre que não me encaixava, que minhas experiências nunca eram o suficiente. Uma sensação de coração apertado e muito medo de não evoluir na carreira.

Iniciar em alguma coisa, parecia um grande recomeçar do zero múltiplas vezes. O que não é verdade, pois as áreas que eu gostava sempre se conciliavam de alguma forma.

As delícias (que eu não via) de ser generalista

E é aí que entram as coisas boas de ser generalista. Esse perfil profissional possui uma capacidade única de lidar com diferentes problemas do dia a dia profissional. É um profissional que consegue facilmente transitar em diferentes áreas e consegue ter uma visão ampla da estratégia de negócios.

Lidar com desafios diferentes sem travar

Os times de marketing hoje em dia estão cada vez mais enxutos. Com os avanços das plataformas de marketing e da inteligência artificial, os times estão precisando cada vez mais lidar com múltiplos desafios no dia a dia.

Um profissional generalista está apto para enfrentar esses desafios sem grandes dificuldades, afinal, toda experiência adquirida durante a jornada, serve de repertório.

Trago eu mesma como exemplo. Trabalhei muitos anos no marketing e também como designer. Hoje, quando preciso fazer gestão de freelancers ou fornecedores, conheço cada etapa do processo. Consigo ter uma comunicação mais assertiva com os times e entender melhor quanto tempo leva para realizar cada atividade. Além disso, consigo fazer direção de arte com precisão e fazer aprovações de peças importantes da campanha.

Ser generalista não significa ser superficial

Muito se engana quem acha que o profissional generalista não consegue se aprofundar em nada, muito pelo contrário. A curiosidade por diversas áreas, faz o generalista ficar obcecada a primeira vista em algum assunto.

Eu entendo e valorizo a importância de ter o mínimo de profundidade nos assuntos que eu busco transitar, e isso me ajuda a construir repertório técnico sem precisar fazer uma coisa só.

O dia em que passei a acolher a minha pluralidade

Tudo mudou pra mim quando comecei a conectar as peças do quebra cabeça e perceber que existe uma ponte de equilíbrio entre o que eu amo e no que sou boa. Uma das coisas que me ajudou a ter essa visão foi o método “IKIGAI”, que te ajuda a entender o que você ama, no que é bom, o que o mundo precisa e pelo que pode ser pago.

Parando para refletir em todas as minhas experiências e interesses, entendi que conteúdo orgânico é algo que me brilha os olhos. Isso engloba falar sobre diversos assuntos e ver possibilidades onde nem todo mundo vê. Além disso, com essa habilidade posso ajudar empresas a crescerem, além de criar conteúdo pra mim.

Entender isso me trouxe mais clareza e propósito, e sei que posso transitar entre diversas áreas sem o sentimento de culpa. Posso aumentar meu repertório e ser uma pessoa múltipla, como deve ser.

Ser plural também é uma forma de ser

Em um mundo que cada vez exige que a gente faça parte de uma caixinha, ser plural é uma forma linda e livre de ser. Não tenha medo de recalcular a rota e de colocar novas ideias em prática. Busque sempre ser você mesmo, afinal, esse sempre será o seu maior diferencial criativo. Acompanhe os nossos conteúdos e explore a sua criatividade com leveza!

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