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Tereza Costa Rêgo: a pintora pernambucana que eu descobri numa viagem ao Recife

Sempre que eu vou fazer uma viagem, procuro conhecer um museu, um espaço cultural e aprender um pouco mais sobre a cultura da cidade. E foi em uma das minhas viagens pelo Brasil que tive a grata surpresa de conhecer o trabalho de Tereza Costa Rêgo, uma artista brasileira, pernambucana, que me encantou pelas suas obras extravagantes que exploram o feminino e seus instintos.

Era uma tarde de quarta-feira e era meu último dia no nordeste, em uma viagem incrível que me reconectou comigo mesma e pude explorar muitas das inúmeras belezas naturais do nosso país. Aproveitamos o dia para explorar um pouco da cidade de Recife.

Como arte sempre acaba nos atraindo de alguma forma, tivemos a ideia de entrar no Caixa Cultural, próximo ao Marco Zero do centro antigo da cidade, afinal estava tendo exposições de arte gratuitas.

Logo ao entrar no recinto, deparei-me com uma arte que chamou muito minha atenção, primeiro por me lembrar muito o estilo de desenho que uma melhor amiga de infância, também artista, faz, e segundo por ver a imagem de um serzinho que tem grande significado para mim: um gato.

Para mim, foi o suficiente para querer conhecer mais, e no post de hoje, quero muito compartilhar um pouco mais do talento dessa grandíssima artista nacional, contando um pouco sobre Tereza Costa Rêgo, e também sobre a curadoria que pude presenciar na viagem.

Quem foi Tereza Costa Rêgo

Nascida em 1929 e natural de Recife-PE, Tereza Costa Rêgo foi uma artista plástica plural e exemplo de coragem. Seu trabalho tem grande importância para o estado de Pernambuco e para todo o país, com pinturas que são símbolo de expressão e desafios pessoais.

Suas obras demonstram resistência e representatividade, viajando pelo modernismo e o figurativismo, “marca da arte moderna pernambucana“, como diz o curador Marco Lontra.

Sua trajetória foi marcada por brilhantes períodos dedicados ao estudo da arte, mas também por fuga e clandestinidade.

Tereza viveu durante o período da ditadura militar no Brasil, junto a seu companheiro Diógenes Arruda, o qual pertencia ao Partido Comunista.

Devido a momentos conturbados, Tereza Costa Rêgo precisou até assinar com um pseudônimo “Joana“, para se proteger desse momento, mas elanão parou de produzir.

A arte que ela deixou: o que torna o trabalho dela único

Tereza utilizava a arte para representar o universo feminino e o que permeia em torno dele, levantando questões políticas, históricas e emocionais, e além disso, ela utilizava a própria história para expor seu olhar ao mundo.

Ao observar suas obras, você vai encontrar muitas cores quentes e regionalidade. O vermelho, também minha cor favorita, ganha destaque em suas obras, trazendo simbolismo de paixão, fogo, amor e revolução.

Entenda mais sobre a psicologia das cores e entenda porque tudo carrega um sentido

O maior ponto de identificação pra mim: mulheres, gatos e arte brasileira

Sempre entro em museus gratuitos despretensiosamente e de coração aberto, mas quando entrei e me deparei com as cores quentes das pinturas de Tereza, logo me encantei e fui observar melhor.

Quando entendi o todo, vi seus gatos e o corpo feminino retratado de forma tão bem e sensível, me apaixonei pela artista e tinha certeza de que precisava conhecer mais o seu trabalho.

Tenho um carinho especial por gatos. Eles são criaturas sensíveis, sensitivas e intuitivas. Acredito muito que pessoas que tem conexão com esse serzinho, sabem do que estou falando.

Essa minha pequena obsessão pelos felinos, fez com que meus olhos ficassem fixados nas pinturas de Tereza Costa Rêgo. Na minha visão, a artista sabe equilibrar muito bem o realismo com o modernismo.

A conexão com a própria jornada

Confesso que arte moderna não é o meu estilo de arte favorito, mas as artes de Tereza têm um toque especial.

No entanto, depois que fui conhecer mais a fundo o seu trabalho, descobri ser por conta da sua regionalidade estampada em suas obras e tem importância especial na vida dela.

Isso se conecta muito com o momento em que estou vivendo. Um momento de não me apegar a padrões e formatos pré-definidos e de colocar toda minha essência e jornada pessoal nos meus projetos.

Acredito que a autenticidade vem daí, e a arte de Tereza Costa Rêgo me inspirou fortemente e despertou o meu olhar criativo.

Todavia, é uma pena que eu não tenha conhecido a arte de Tereza Costa Rêgo em vida, pois assim que a conheci, fiquei sabendo do seu falecimento em 2020, devido a um AVC.

De qualquer forma, sinto que ela deixou o seu legado, passou a vida se dedicando à sua arte de forma muito bonita, representando o seu povo e retratando a presença feminina.

A graça de visitar museus quando você viaja

Viajar é uma das coisas que mais amo fazer na vida, e a junção disso com a apreciação da arte é o que torna muito mais interessante.

E se você gosta de visitar destinos incríveis, te convido a ler 10 cidades com arquitetura incrível.

Ressalto que visitar museus durante esse período, é uma forma de conhecer mais sobre a cultura local e descobrir a expressão de diferentes artistas.

Sempre reservo um dos dias para apreciar esse tipo de passeio e em muitos lugares turísticos há opções gratuitas que podem trazer descobertas incríveis.

Uma coisa que gosto de fazer, é consultar o site da cidade para ver os museus próximos, e sempre procurar aqueles com entrada gratuita.

Onde encontrar o trabalho de Tereza Costa Rêgo

Para você que ficou curioso em conhecer mais o trabalho da artista Trereza Costa Rêgo, além do site oficial, há mostras de arte pelo país.

Para conhecer a exposição que citei aqui “Sem Concessões”, consulte a programação em unidades da Caixa Cultural.

Em Recife, no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, tem uma galeria permanente com o nome dela que vale a pena conhecer. Outra opção para conhecer mesmo online é no site do Itaú Cultural.

Eu sou o voo, jamais o ninho.

A arte é uma coisa muito física – sangra.

Eu pinto como quem vive e como quem morre.

Tento segurar o tempo através da janela.

A minha história é sempre em vermelho, cor nascida do fogo e do sangue, símbolo do amor e da revolução.

– Tereza Costa Rêgo

Você gosta de visitar museus e conhecer novos artistas? Me conta mais nos comentários e espero que tenha gostado de conhecer mais um pedacinho da cultura do nosso país.

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