Estudar jornalismo em 2025: será que ainda vale a pena?
Começo este artigo com apenas uma afirmação: o jornalismo é apaixonante para quem, assim como eu, é curioso, gosta de se comunicar e ama escrever. Mas surge a pergunta: como estudar jornalismo e se destacar em um mercado que passa por tantas transformações? Ainda vale a pena escolher essa graduação em 2025? E quais caminhos profissionais estão disponíveis em uma área que hoje vai muito além das tradicionais redações jornalísticas?
Ao longo dos próximos tópicos, vou responder a essas questões a partir da minha própria experiência. Sou jornalista formada desde 2017 e já atuei em diferentes frentes da comunicação, o que me permitiu enxergar de perto a amplitude de possibilidades que essa formação abre.
Meu objetivo aqui é oferecer um panorama realista sobre o curso e a profissão, para que você consiga avaliar se esse é, ou não, o caminho ideal para a sua trajetória. Vamos lá?
Vale a pena estudar jornalismo em 2025?
Em resumo: sim, vale a pena estudar jornalismo em 2025 – desde que você tenha em mente que atualmente a formação vai muito além do jornalismo tradicional.
Quando eu comecei a minha graduação, ainda em 2014, a grade era muito mais voltada para disciplinas como redação, rádio, tv e impresso. Hoje, embora essas áreas ainda existam e continuem sendo parte fundamental da formação, já não são o foco principal, dividindo espaço com disciplinas ligadas ao jornalismo digital, às redes sociais, ao audiovisual multiplataforma e até ao uso de inteligência artificial como ferramenta de apoio.
Quando entrei na faculdade, o Facebook era a principal rede social. O Instagram era usado apenas para fotos e vídeos no feed, já que os stories surgiram somente em 2016. E o TikTok? Sequer existia! Por conta dessas plataformas, a forma que consumimos informação mudou muito de lá para cá.
Na prática, isso significa que o estudante de jornalismo de hoje não aprende apenas a escrever uma reportagem ou apresentar uma matéria no telejornal: ele também é preparado para produzir conteúdo para diferentes plataformas, pensar em formatos digitais, lidar com análise de dados, compreender algoritmos e até mesmo questionar os impactos éticos e sociais do uso de IA no processo de produção jornalística.
Além disso, o próprio mercado se transformou. As redações ficaram mais enxutas, acumulando funções em menos profissionais, enquanto áreas como assessoria de imprensa, comunicação corporativa, marketing de conteúdo e jornalismo independente cresceram.
Em resumo, estudar jornalismo hoje é muito mais do que frequentar aulas: é se manter atualizado, ser curioso e ter capacidade de se adaptar a novas tecnologias e formatos.
Por isso, é essencial que o estudante não apenas acompanhe as matérias do curso, mas também construa um portfólio sólido durante a graduação e comece a desenvolver sua rede de contatos desde cedo.
Quais características um jornalista deve ter?
Um jornalista precisa, antes de qualquer coisa, gostar de escrever. Essa habilidade é o alicerce da profissão, ainda que hoje ela se desdobre em formatos muito além do texto tradicional.
No entanto, escrever bem não basta: é preciso ser curioso, questionador e ter prazer em aprender sobre assuntos distintos. Um professor meu sempre dizia que o jornalista é aquele que sabe um pouco de tudo, mas não sabe de nada – justamente porque precisamos ter a flexibilidade de transitar entre temas muito diferentes, sempre com agilidade e consistência.
Outras características importantes são a capacidade de trabalhar sob pressão – especialmente em redações jornalísticas, onde as notícias precisam ser publicadas com rapidez – e a disposição para aprender continuamente.
O jornalismo não é uma profissão estática: as ferramentas mudam, as plataformas se transformam e a forma de consumir informação está em constante movimento. Quem se destaca é quem consegue se adaptar, sem perder a essência de apurar os fatos com ética e rigor.
O que se estuda na faculdade de jornalismo?
A graduação em jornalismo no Brasil costuma ter uma duração média de quatro anos e a grade curricular combina disciplinas teóricas e práticas. Entre as matérias teóricas, estão filosofia, sociologia, ciências políticas, teorias da comunicação, ética jornalística e história do jornalismo. Essas disciplinas dão ao estudante uma base sólida para compreender o papel social da profissão e desenvolver senso crítico.
Do lado prático, entram disciplinas como redação jornalística, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso, jornalismo online, fotojornalismo, jornalismo econômico, político, ambiental, cultural e científico.
Hoje, muitas faculdades já incluem também jornalismo de dados, mídias digitais e até laboratórios de inovação em comunicação, preparando os alunos para lidar com algoritmos, SEO e produção multiplataforma.

Na minha faculdade, por exemplo, tínhamos projetos semestrais que iam muito além da sala de aula. Eu participei de uma revista digital que funcionava como uma redação experimental: fazíamos reuniões de pauta, apurávamos reportagens, entrevistávamos fontes e, ao final, publicávamos as edições online. Essa vivência foi essencial para entender na prática como funciona o processo jornalístico e, principalmente, para montar um portfólio desde cedo.
Esse ponto é fundamental! Ao longo do curso, cada trabalho pode se tornar uma peça importante no portfólio, o que faz toda a diferença quando chega a hora de buscar estágio ou a primeira oportunidade profissional. Por isso, se eu puder dar uma dica, é buscar uma faculdade que valorize tanto esses projetos práticos quanto as disciplinas teóricas.
Hoje, os cursos estão ainda mais atentos a essa necessidade, incentivando não apenas produções que simulam a realidade do mercado, mas também trazendo para a sala de aula discussões sobre digitalização, redes sociais e, mais recentemente, o impacto da inteligência artificial no jornalismo.
Como entrar na área do jornalismo?
O estágio é a principal porta de entrada no mercado de trabalho jornalístico. É nele que o estudante aplica o que aprende, adquire experiência real e começa a construir sua rede de contatos. Mas, além dele, você também precisa contruir sua rede de contatos ao longo da faculdade e, é claro, ter um perfil bem feito no LinkedIn.
Estágio: comece o quanto antes!
Eu consegui o meu primeiro estágio logo no primeiro semestre da faculdade e isso fez toda a diferença! Embora eu saiba que isso é algo que foge do comum, já que a maioria das vagas costuma ser direcionada a estudantes a partir do segundo ano, eu ainda assim indico que você já comece a tentar uma oportunidade tão logo iniciar o curso.
Comecei na prefeitura da minha cidade, escrevendo notícias sobre o setor de trânsito. Era um trabalho simples, mas que já me colocou em contato com a rotina de escrever textos jornalísticos, identificar o que era noticiável dentro do setor e aprender com cada revisão que faziam dos meus textos, lapidando a escrita conforme as correções que eram feitas.
Depois desse estágio, que fiquei dois anos, passei a procurar proativamente outras oportunidades. Mapeei todos os veículos da minha cidade, de jornais impressos a rádios e portais online, e enviei meu currículo e portfólio manualmente, um por um, via e-mail.
Isso me levou ao segundo estágio, em um portal de notícias local, onde auxiliava na produção de reportagens. Mais tarde, consegui também uma oportunidade em uma agência de comunicação e marketing, auxiliando na produção de conteúdos diversos.
Assim, em quatro anos de faculdade, acumulei experiências em assessoria de imprensa para o setor público, jornalismo online e comunicação corporativa.
Para mim, foi um período essencial, pois ao atuar em diferentes frentes antes mesmo de me formar, facilitou a entrada oficial no mercado de trabalho após o término da graduação.
Tenha um perfil ativo no LinkedIn
Naquela época, confesso que não explorei o LinkedIn como deveria. Hoje, ele é uma ferramenta indispensável!
Por isso, invista nessa plataforma. Contrua um perfil com uma bio clara, destaque seus diferenciais e publique os projetos feitos na faculdade. Essa é uma forma de mostrar trabalho e ser notado por recrutadores e colegas da área.
Além disso, é possível adicionar jornalistas da sua região, interagir com conteúdos relevantes e acompanhar as discussões profissionais, contruindo assim a sua rede de contatos ao longo do curso.
Você também pode acompanhar veículos de comunicação, empresas ou agências de comunicação do seu interesse, pois as organizações costumam publicar em suas páginas quando há oportunidades de estágio.
O legal é que, nos dias atuais, muitos estágios são remotos. Isso significa que, mesmo em cidades pequenas, há chance de trabalhar para veículos e agências de comunicação de outras localidades.
Para quem está começando, é uma oportunidade de ampliar horizontes e ganhar experiência em diferentes contextos.
Mercado: o jornalismo tradicional morreu?
É comum ouvir que o jornalismo tradicional morreu, mas a realidade é mais complexa. As redações continuam existindo, embora estejam mais enxutas e concentradas nas capitais. Conseguir uma vaga nelas exige networking, indicações e persistência, além de estar ciente de que, fora dos grandes veículos, os salários podem ser baixos e as funções acumuladas. Um repórter de redação muitas vezes também atua como social media, editor e produtor de conteúdo, tudo ao mesmo tempo.
Mesmo assim, não é impossível entrar em um veículo para atuar como repórter. Programas de trainee em grandes jornais e emissoras ainda são portas de entrada, e veículos locais também oferecem oportunidades, principalmente para quem tem disposição de, assim como eu fiz, mapear cada um deles e se apresentar – seja por e-mail ou via LinkedIn.
Principais mercados de atuação
Como eu disse anteriormente, atualmente o mercado jornalístico vai muito além das redações! Áreas como jornalismo digital, jornalismo de dados, assessoria de imprensa e comunicação corporativa crescem de forma acelerada.
Eu, por exemplo, já passei pela redação de um portal de notícias, atuei com marketing de conteúdo (criando textos para blogs, ebooks e redes sociais) e, no momento, trabalho com assessoria de imprensa. Curiosamente, essa era uma área que eu rejeitava na faculdade, mas descobri nela uma afinidade maior do que com produção de conteúdo para redes sociais e blogs, por exemplo.
Assessoria de imprensa
A assessoria de imprensa consiste em intermediar a relação entre organizações, sejam elas públicas, privadas ou do terceiro setor, com os meios de comunicação. É uma área estratégica, que exige tanto visão jornalística quanto compreensão da lógica corporativa.
Na prática, o assessor de imprensa é responsável por identificar pautas de interesse público dentro da instituição que representa, transformá-las em releases (textos jornalísticos enviados à imprensa) e articular entrevistas ou matérias com veículos de comunicação.
Também acompanha e monitora a presença da marca na mídia, organiza relatórios com tudo o que foi publicado e analisa o impacto dessa exposição. Além disso, elabora posicionamentos oficiais e, em situações de crise, atua para proteger a imagem e minimizar possíveis danos à reputação.
Desde 2023, atuo nessa frente. Inclusive, comecei recentemente uma pós-graduação em Comunicação Estratégica nas Organizações, afim de ampliar ainda mais as possibilidades de atuação, por meio de uma formação que engloba comunicação interna, externa e institucional tanto para empresas, quanto para órgãos públicos e/ou ONGs.
Essa é uma área com muitas oportunidades dentro do jornalismo, mas percebi que, durante a minha graduação, recebeu pouca atenção: tive apenas uma disciplina sobre assessoria de imprensa em quatro anos!
Vejo esse setor como um dos mais relevantes dentro do jornalismo atual, com um grande leque de oportunidades, salários mais atrativos e possibilidades de atuar em diferentes tipos de organizações.
Marketing de conteúdo
Outra área em expansão para jornalistas é o marketing de conteúdo, muito presente em agências e nos departamentos de comunicação de empresas de diversos setores. O objetivo é produzir materiais que atraiam, engajem e fortaleçam a relação das marcas com seus públicos.
Na prática, o trabalho envolve escrever artigos para blogs corporativos com foco em SEO (ajustados ao mecanismo de busca do Google); criar roteiros e textos para vídeos institucionais, reels e TikTok; planejar e produzir posts para redes sociais; desenvolver materiais como e-books, newsletters e whitepapers; além de acompanhar métricas para avaliar resultados e ajustar a estratégia.
É um campo indicado para quem gosta de escrever, mas também se interessa por estratégia, engajamento e formatos digitais. Diferente do jornalismo tradicional, o marketing de conteúdo exige compreender a jornada do público e traduzir informações de forma clara, criativa e persuasiva.
Além disso, essa é uma área que oferece muitas vagas, especialmente remotas – o que a torna atraente para muitos jornalistas em início de carreira ou fora dos grandes centros urbanos.
Jornalismo de dados
Outra área em expansão é o jornalismo de dados, que combina apuração jornalística com análise de informações. O profissional coleta grandes volumes de dados, que podem vir de bancos públicos, pesquisas, órgãos governamentais, empresas ou até redes sociais, e transforma esses números em histórias claras e relevantes para o público.
Na prática, isso envolve organizar planilhas, cruzar informações, identificar padrões e apresentar insights que não seriam visíveis apenas com entrevistas ou observação direta. Esses dados são então transformados em algo acessível e compreensível, por meio de gráficos, mapas ou dashboards interativos.
O jornalismo de dados é muito valorizado por veículos digitais que buscam reportagens aprofundadas com base em fatos concretos, gráficos ou rankings. Startups de mídia que publicam conteúdo visual e interativo, ONGs e órgãos públicos que precisam de dados para campanhas, relatórios ou transparência, e até empresas privadas, que analisam informações para entender o mercado e o comportamento dos clientes, também recorrem a esse tipo de trabalho.
Em resumo, o papel do jornalista de dados é produzir reportagens fundamentadas em evidências concretas, oferecendo profundidade e credibilidade. A área exige habilidades técnicas, como domínio de Excel avançado, ferramentas de visualização (Tableau, Power BI) e, em alguns casos, linguagens de programação como Python ou R.
Em resumo, o jornalismo não morreu, mas se transformou. Quem se forma na área precisa estar disposto a explorar diferentes possibilidades, combinando a paixão pela apuração e pela escrita com a versatilidade que o mercado atual exige.
Conclusão: sim, ainda vale a pena estudar jornalismo em 2025
Mas, é preciso ter em mente que você precisará:
- Absorver teoria, por meio de disciplinas como filosofia, ética, política, economia e teorias da comunicação;
- Testar os aprendizados na prática, por meio de projetos e produções experimentais;
- Construir portfólio por meio dos projetos práticos feitos na faculdade, pois ele será essencial quando o seu currículo ainda não conta com experiência alguma;
- Buscar estágio desde o começo da graduação – e de fato estagiar -, pois somente assim você vai conseguir seguir carreira na área;
- Fazer networking, seja por meio do Linkedin ou junto a colegas, professores e contatos de estágio;
- Dominar o digital, como redes sociais, SEO, audiovisual e IA;
- Ampliar os horizontes, entendendo que o jornalismo hoje vai além da redação tradicional, com um leque de opções que englobam áreas como assessoria de imprensa, comunicação corporativa, marketing de conteúdo e jornalismo de dados;
- Adaptar-se sempre, pois as ferramentas e o mercado estão em constante movimento.
Apesar de todas essas exigências, se o jornalismo é sua paixão e você está disposto a aprender continuamente, não se intimide com as transformações do mercado.
Eu mesma comecei a faculdade em 2014, em um cenário completamente diferente. Vi de perto desafios, mas também as oportunidades que surgem quando exploramos as diferentes formas de atuação na área.
Hoje, sigo convicta de que fiz a escolha certa, pois continuo exercendo diariamente a essência do jornalismo: apurar, questionar e escrever com rigor. E, para mim, não existe nada mais gratificante!
